quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Pessoas tipo oceano

Existem pessoas que acreditam que a felicidade está fora delas. Vivem à espera de alguém que lhe trará todo amor que ela tem precisado sua vida inteira, preenchendo-a, completando-a e assim trará sua felicidade junto.

Depressão, ansiedade, feminicídio, síndrome do pânico, infelicidade, como conquistar a felicidade, como alcançar a felicidade

Quem nunca disse ou ouviu dizer: "ah, eu tenho que arranjar alguém que me faça feliz"… "ah, quando eu arrumar um namorado… ah, quando eu encontrar aquela mulher"… "eu caso e vou ser feliz".

São aquelas pessoas tipo oceano, das que cantarolam: "vem me fazer feliz porque eu te amo…". Isso soa quase como uma ordem, uma obrigação, "você tem que me fazer feliz porque eu te amo", só por que ela quer e ela acredita fortemente nisso.

Isso acontece porque a pessoa acredita que sua felicidade depende do outro, que não consegue viver sem o outro, que sua solidão só passa com a presença do outro em sua vida, que depende do outro para ser feliz.

Isso tem a ver com crenças que são muito reforçadas por nossa cultura ocidental, através da nossa educação familiar, das histórias, novelas, filmes e músicas, que nos incutem a ideia de amor e relacionamento romantizados e que o único esforço necessário seria encontrar alguém e pronto, já teria conquistado o amor e a felicidade.

Deixa eu dar um exemplo que aconteceu comigo quando comecei a observar, há um tempo atrás, como uma música mexia comigo e reforçava minhas crenças de conquista da felicidade.  Vamos analisar a música Oceano de Djavan, é uma análise pessoal,  e você não precisa concordar com minha opinião, ok?

Abaixo, está a letra da música com alguns trechos comentados:

Oceano - Djavan

Assim

Que o dia amanheceu

Lá no mar alto da paixão

Dava pra ver o tempo ruir

Cadê você? Que solidão!                ->>>>  você tinha que estar aqui

Esquecera de mim                          ->>>>  pura chantagem, não sabe nem o que        

                                             aconteceu com a pessoa, já acha que foi abandonado       



Enfim

De tudo que há na terra

Não há nada em lugar nenhum

Que vá crescer sem você chegar                   ->>>> ou seja, sem você não existe vida

Longe de ti tudo parou

Ninguém sabe o que eu sofri         ->>>> coitada/coitado de mim



Amar é um deserto      ->>>> é árido amar

E seus temores      ->>>> amar é temer

Vida que vai na sela

Dessas dores

Não sabe voltar

Me dá teu calor



Vem me fazer feliz ->>>> dando ordem

Porque eu te amo ->>>> você tem que me amar porque eu te amo

Você deságua em mim

E eu oceano

Esqueço que amar

É quase uma dor

Só sei

Viver

Se for

Por você ->>>> eu não existo sem você

Em algumas partes da análise que fiz da música, destaquei qual a mensagem que aquele trecho me trouxe e me fez sentir. 

Mas, o que fazer quando a gente percebe que tem crenças assim influenciando? Para lidar com a situação de estar a mercê do outro é necessário assumir a responsabilidade pela própria felicidade, começar a construí-la e parar de esperar que o outro a traga. Isso não significa deixar de desejar dividir a vida com uma parceira/parceiro que se queira amar, pelo contrário, estar com nossa necessidade afetiva-sexual atendida é um aspecto importante para nossa nutrição emocional e para nossa felicidade. 

O problema começa quando se tem expectativas exageradas que podem ser facilmente frustradas se a outra pessoa não faz aquilo que a gente deseja ou não nos ama de fato. O problema começa quando a gente começa a achar que "tem que" e "que o outro tem que" como se estivesse implícito acontecer tudo como sonhamos só pelo fato de querermos ter a pessoa na nossa vida. 

Diante dessa situação, uma solução possível e viável é a mudança do diálogo interno, não conheço melhor forma de lidar com crenças que nos atrapalham. Então,  toda vez que você perceber a tendência de expectativa de felicidade a partir de ações dos outros, você pode experimentar falar para si que sua felicidade é sua responsabilidade como forma de lembrar-se disso. Você também pode começar a pensar: o que eu posso fazer para a construção da minha felicidade nessa situação? Como você pode se dar aquilo que espera do outro?

E aí? O que você acha sobre minha análise da situação e da música? Longe de tentar ser a verdade absoluta, minha pretensão é problematizar e exemplificar como mensagens contidas em diversas fontes culturais como filmes e músicas carregam ideias que reforçam nossas crenças. Não sei se o que aconteceu comigo aconteceu ou acontece com você, mas vou adorar saber, então, escreva nos comentários como você se sente em relação ao tema que escrevi nesse artigo.

Lembre-se, a felicidade é uma construção individual e intransferível!

Cuide da sua felicidade, você merece e o mundo merece gente feliz!


Ouça o áudio que gravei sobre esse tema.


Abraço, Julini.

Julini Araujo Santos - Palestrante e Coach de felicidade

Psicóloga - UFBA  (CRP 03/06705) Whatsapp - Palestras
Sanitarista e Especialista em Saúde da Família pelo Programa de Residência Hólon/EBMSP/SESAB 
Especialista em Saúde Coletiva pelo Instituto de Saúde Coletiva - UFBA
Gestalt-terapêuta pelo Instituto de Gestalt-terapia da Bahia - IGTBa

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